CICLOVIAGEM NA ESTRADA DE FERRO GOYAZ - POR SILVIO SÁ
No final de 2009, a Sistime divulgou em capítulos o relato do atleta Silvio Sá, que viajou durante vários dias de bicicleta pelo interior de Goiás até chegar à antiga capital do Estado. Agora, Silvio está de volta às viagens de bicicleta, preparando-se para fazer cicloturismo na Estrada de Ferro Goyaz. Enquanto o dia da partida não chega, ele conta como estão os preparativos para mais esta aventura.

“Depois da cicloviagem do ano passado, quando eu e Miguel fomos pedalando de Brasília a Goiás Velho, fiquei pensando em mais um roteiro para fazer. Mas não queria algo tradicional. Pensava em algo diferente ou pouco usual. Lendo os relatos de cicloviagens em fóruns, principalmente do pessoal do estado de São Paulo, sempre via fotos em charmosas estações de trem. Algumas reformadas e bonitinhas e outras em estado de abandono. Tive vontade de fazer o mesmo, pedalar, passar pelas estações, tirar fotos, etc..
A ideia já estava pronta, faltava planejar. Sabia, até mesmo pelas fotos, que em São Paulo haviam muitas estações ferroviárias, mas não queria ir lá para longe e por isso apelei para São Google e comecei a pesquisar se tinha algo em Goiás e próximo a Brasília. Como aqui chegam trem de cargas, alguma coisa teria por aqui.
Daí encontrei informações sobre a Estrada de Ferro Goyaz, iniciada a construção em 1911 e que depois de pronta promoveu a ligação ferroviária de Araguari, em Minas Gerais, até Goiânia, capital de Goiás. Também foi aberto um ramal chegando a Brasília. É de se lamentar que atualmente apensas trens de carga operem nessa linha.
O principal já havia sido encontrado: o eixo a seguir na viagem. Aí vamos para a pesquisa no irmão visual de São Google, o Google Earth. Com essa ferramenta encontrei as cidades listadas por onde passa a ferrovia e tive acesso a várias informações e até a fotos das estações, de partes da ferrovia, viadutos e outras coisas mais.
O projeto estava andando a passos largos.
Nesta fase, comentei a ideia com o amigo Demeure que na hora disse que estava dentro da viagem. Ele, como nativo de Ipameri, já conhecia a região e sabia muita coisa sobre a ferrovia, as estações da região e as cidades. Ainda lembrou de coisas importantes como, por exemplo, que trem não sobe morro. Indicação que o caminho não deveria ser puxado em relação ao relevo.
Nessas pesquisas pela internet cheguei ao álbum de fotos do Gláucio, morador de Araguari, conhecedor das ferrovias locais, trabalha com o assunto. Entrei em contato com ele para obter mais informações e pedir algum auxílio. Quando comentei com ele o projeto. Foi logo outro que pulou dentro do barco. E coincindentemente ele também é ciclista. Fechou.
Mais algumas horas noturnas em cima do Google Earth e fui montando o trajeto passando pelas cidades goianas. Em quase todo o caminho existem estradas de terra que passam próximas à ferrovia, facilitando bastante o deslocamento. O trecho final, de Goaindira até Araguari, foi desenhado pelo Gláucio, que conhece bem a região e andou bastante por esse trecho.
Então em janeiro já tinha a lista de cidades por onde passar, o trajeto traçado e dois companheiros de viagem. Faltava acertar uma data em que desse para colocar em prática e convidar outros amigos para acompanhar.
Inicialmente a viagem começaria em Leopoldo de Bulhões e levaria cinco dias. Com as datas apertadas, decidi que o início seria em Vianópolis e com isso seriam apenas quatro dias pedalando. Olhando para o calendário e procurando os feriados, ficou marcado para começar em 21 de abril. Brasília completará 50 anos e eu irei comemorar o fato pedalando por aí. Na minha opinião, muito mais agradável do que me acotovelar em algum show gratuito em frente ao Congresso Nacional.
Daí foi só convidar mais alguns amigos. Na hora que coloquei a proposta muitos apareceram, mas infelizmente com as vidas atribuladas de hoje em dia alguns não poderão ir. Até o momento serão cinco cicloturistas, cada um com uma função. Teremos um responsável pelos primeiros socorros, se necessários, um que vai fazer as vezes de mecânico, um que irá pechinchar o que for preciso, um que será o guia local e eu que irei pilotar o GPS e mandar informações pela internet.
O planejamento feito engloba o mínimo necessário deixando bastante espaço para alterações, improvisos e tudo mais o que acontecer no caminho. Não será apenas o cumprimento de uma planilha.
A viagem também terá um caráter fotográfico, afinal foi assim que ela nasceu. Os objetivos serão as estações ferroviárias, que serão fotografadas. Nas pesquisas encontrei várias fotos da E.F. Goyaz, só não sei se alguns dos fotógrafos fizeram esse caminho de bicicleta. Nós faremos.
E na volta traremos mais histórias para contar e fotos para mostrar.
Veja outras notícias:

Comentários (0)
|